Alcaçuz: famílias não foram indenizadas três anos após massacre

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Três anos depois do episódio que ficou conhecido como o “Massacre de Alcaçuz” — o mais sangrento da história do sistema prisional potiguar — familiares dos presos mortos padecem do abandono e sofrem com transtornos psicológicos enquanto ainda esperam por indenizações. A penitenciária, que é a maior do RN, fica em Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal.

Dos 27 mortos no massacre, apenas as famílias de dois deles ganharam ações contra o Estado. E, mesmo assim, os dois processos ainda aguardam a execução da sentença. Para uma das famílias, o RN foi condenado a pagar R$ 40 mil. Para a outra, a indenização é de R$ 50 mil.

Uma das mães que vive o drama da espera é Maria Aparecida Paixão da Silva, de 43 anos. O filho dela foi um dos 27 assassinados na chacina, ocorrida no dia 14 de janeiro de 2017. Carlos Clayton Paixão da Silva tinha 23 anos, e estava prestes a ganhar liberdade após pouco mais de um ano custodiado em Alcaçuz. Era questão de dias para ele deixar a unidade. Porém, o massacre acabou com a vida dele e seus planos.

Maria Aparecida tenta reivindicar na Justiça o direito à reparação. O processo dela aguarda julgamento para tentar ganhar causa contra o Estado. “Nada vai trazer meu filho de volta. Nenhum dinheiro paga o que fizeram com ele, que tinha uma vida inteira pela frente. É muito difícil para mim viver aqui sozinha lembrando dele, tem dia que falta força. Se esse dinheiro saísse, eu ia tentar comprar uma casa e me mudar daqui para criar meus outros filhos”, desabafa.

Cida, como é mais conhecida, é moradora de Nossa Senhora da Apresentação, bairro da zona Norte de Natal. A rotina da pensionista se divide em se concentrar nos afazeres do lar e cuidar de sete filhos, com idades entre 5 e 16 anos. Ao todo ela tem nove, Carlos era o décimo.

Agora RN

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