Juiz autoriza a ‘transferência’ de Marcelo Piloto, do Paraná para presídio de Mossoró

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Brazilian Marcelo Pinheiro, aka Marcelo Piloto, attends his hearing which is being held at a police station in Asuncion, Paraguay, November 16, 2018. Picture taken November 16, 2018. Sebastian Caceres/Paraguayan Supreme Court/Handout via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY.

O juiz titular da Vara de Execuções Penais do Rio, Rafael Estrela, autorizou a transferência do traficante Marcelo Pinheiro da Veiga, o Marcelo Piloto, da penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná, para a unidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

A transferência do traficante ainda depende do aval da Justiça Federal do estado para onde ele será levado. Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, está no presídio federal de Mossoró desde 2017. Ambos pertencem à mesma facção criminosa.

Em sua decisão, Rafael Estrela ainda autorizou a permanência definitiva de Piloto em presídio federal de segurança máxima. Em 19 de novembro do ano passado, o juiz havia determinado a inclusão provisória do traficante no presídio de Catanduvas horas após ele ter sido expulso do Paraguai, onde estava preso desde o fim de 2017.

Na decisão que autorizou a inclusão definitiva de Piloto em presídio federal, o juiz da VEP afirmou que o retorno de líderes de facções para o Rio agravariam a sensação de insegurança e instabilidade no estado. O magistrado também frisou a necessidade de manter Piloto fora do estado para dificultar sua comunicação com comparas. “Apermanência do apenado fora dos limites do Estado do Rio de Janeiro é um importante obstáculo ao fluxo de comunicações entre tais líderes e seus comandados, no que tange à transmissão de ordens ilícitas, o que viabiliza a continuidade da austera política de segurança pública implementada pelas autoridades fluminenses”, escreveu Estrela.

Piloto foi expulso do Paraguai três dias após ter matado a jovem Lidia Meza Burgos, de 18 anos, dentro do quartel da polícia onde estava preso. Ela, que visitava Piloto pela segunda vez, foi morta com 16 facadas. O crime teria sido cometido para evitar a extradição de Piloto para o Brasil, que já havia sido autorizada pela Justiça paraguaia.

Prisão de Piloto

Marcelo Piloto foi preso no dia 13 de dezembro de 2017, na cidade de Encarnación, no Paraguai, durante uma operação integrada da Secretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) do Rio em conjunto com a representação da Polícia Federal do Brasil naquele país e órgãos policiais do Paraguai. Três dias depois da prisão, a Seseg pediu a extradição do traficante e a inclusão de seu nome no alerta vermelho da Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol.

Na extensa ficha criminal de Marcelo Piloto constam crimes de homicídio, tráfico e associação para o tráfico, latrocínio e roubos. De acordo com a Seseg, o criminoso estava escondido há anos no Paraguai, de onde enviava armas, drogas e munições para abastecer favelas cariocas dominadas pelo Comando Vermelho.

Tentativas de fuga

Desde dezembro de 2017, quando Marcelo Piloto foi preso, policiais do Brasil e do Paraguai frustraram pelo menos seis tentativas de libertação do traficante. A mais recente foi desarticulada no fim de outubro, quando três supostos integrantes do Comando Vermelho que planejavam resgatar o traficante foram mortos em uma operação em um sítio na cidade de Presidente Franco, a 300 quilômetros a Leste de Assunção, na chamada Tríplice Fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina.